sábado, 14 de agosto de 2010

Reminiscências

A criança no espelho

Que trazem nas manhãs os vendavais?
Fatos de flores frígidas? Enfim
O fugaz flautear do serafim?
Memórias tristes d'outros carnavais?

O cômodo desfaz-se nos anais

De divagações plácidas sem fim;
Na porta, o espelho de marfim
Reflete a criança sem seus pais.


Será o filho que não pude ter?
Ouso crer que a imagem cujo breu
Criou não é miragem, mas um ser.

Crível ou não, a dúvida cedeu

Quando a verdade me pus a saber:
A criança no espelho era eu.

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