A criança no espelho
Que trazem nas manhãs os vendavais?
Fatos de flores frígidas? Enfim
O fugaz flautear do serafim?
Memórias tristes d'outros carnavais?
O cômodo desfaz-se nos anais
De divagações plácidas sem fim;
Na porta, o espelho de marfim
Reflete a criança sem seus pais.
Será o filho que não pude ter?
Ouso crer que a imagem cujo breu
Criou não é miragem, mas um ser.
Crível ou não, a dúvida cedeu
Quando a verdade me pus a saber:
A criança no espelho era eu.
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